/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/q/F/6jyR0wQn67an43DfOYkQ/2026-04-09t133251z-777728443-rc24lkaqbvbx-rtrmadp-3-peru-election-security.jpg)
O cenário político peruano para o mandato 2026-2031 começou a se desenhar neste domingo, 11 de abril de 2026, com as pesquisas de boca de urna apontando a candidata de direita Keiko Fujimori como líder para o segundo turno das eleições presidenciais. A disputa, que se estenderá até 7 de junho, reflete a fragmentação política característica do país e as incertezas que pairam sobre sua governabilidade e estabilidade econômica.
I. Os Resultados Preliminares das Pesquisas de Boca de Urna
Os primeiros levantamentos pós-votação indicam uma liderança consolidada de Keiko Fujimori. Segundo o instituto Datum, a candidata do Força Popular obteve 16,5% dos votos, superando Rafael López Aliaga (ultraconservador, com 12,8%), Jorge Nieto (centro-direita, com 11,6%) e Ricardo Belmont (direita, com 10,5%).
O levantamento do Ipsos, que abrangeu uma amostra de 18.144 eleitores, corrobora a tendência: Fujimori alcançou 16,6%, seguida por Roberto Sánchez (esquerda, 12,1%), Ricardo Belmont (11,8%), Rafael López Aliaga (11%) e Jorge Nieto (10,7%). A consistência entre os institutos reforça a projeção de Fujimori como a única candidata com vaga garantida na próxima fase do pleito, enquanto o segundo lugar permanece em aberta disputa.
Eleitores peruanos participaram do primeiro turno das eleições presidenciais.II. A Disputa Pelo Segundo Turno e o Cenário Político
Apesar da aparente garantia de Keiko Fujimori no segundo turno, a identidade de seu adversário ainda é incerta, dada a proximidade dos demais candidatos nas pesquisas. A herança política do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000) confere à sua filha um capital político considerável, mas também acende debates sobre o legado e o futuro do país, fatores que podem influenciar a decisão do eleitorado no segundo turno.
Alfredo Torres, presidente do Ipsos Peru, alertou sobre possíveis vieses nas pesquisas de boca de urna, especialmente em relação a candidatos menos populares em Lima. A baixa afluência de eleitores na capital, conforme mencionado por Torres à Latina TV, pode ter distorcido os dados, um fator que as autoridades eleitorais e os analistas acompanharão de perto à medida que os resultados oficiais forem divulgados nas próximas horas.
III. Desafios e Irregularidades no Processo Eleitoral
O primeiro turno das eleições não esteve isento de desafios operacionais. Diversos distritos de Lima registraram problemas na distribuição de material eleitoral, resultando em atrasos significativos no início da votação e, em casos mais graves, impedindo o sufrágio em 211 seções eleitorais da capital, afetando 63.300 cidadãos. Tais irregularidades, que comprometem a lisura do processo, levaram à abertura de investigações por parte do Ministério Público, da Junta Nacional de Justiça e da Junta Nacional de Eleições.
As apurações visam o chefe do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), Piero Corvetto, e a empresa de transporte encarregada da logística em Lima e na província vizinha de Callao. A eficiência e a lisura do processo eleitoral são cruciais para a credibilidade do sistema democrático e para a percepção de estabilidade política, fatores que influenciam diretamente o ambiente de negócios e o investimento estrangeiro.
IV. O Contexto Político-Econômico do Peru
Com mais de 27,3 milhões de eleitores aptos a decidir seus representantes para o quinquênio 2026-2031, o Peru enfrenta um desafio crônico: a instabilidade política. A nação andina registrou oito presidentes nos últimos dez anos, um histórico que reflete uma profunda espiral de crises políticas, impeachments e renúncias. Este cenário de volatilidade é um ponto de atenção para analistas financeiros e investidores, que buscam previsibilidade e segurança jurídica para o capital.
A expectativa de que nenhum candidato atingiria a maioria absoluta no primeiro turno já era amplamente difundida, confirmando a necessidade de um segundo turno. A escolha final, em 7 de junho, será determinante para a formação de um governo capaz de promover a tão necessária estabilidade e direcionar as políticas econômicas do país de forma a restaurar a confiança dos mercados e atrair investimentos.
V. Perspectivas para o Segundo Turno e o Mercado
O segundo turno será, portanto, um momento crucial para o Peru. A definição do presidente para o período 2026-2031 não apenas moldará a governança do país, mas também influenciará diretamente a confiança dos investidores e a direção das políticas macroeconômicas. A capacidade do futuro governo de implementar reformas, garantir a estabilidade institucional e gerenciar os desafios econômicos será essencial para o desenvolvimento do Peru e para a atração de capital.
O Finacode continuará monitorando de perto os desdobramentos das eleições peruanas e suas potenciais repercussões no mercado financeiro regional e global.

